A Organização Atitude Social e Ambiental -OASA- transforma compromisso socioambiental em ação concreta por meio da produção de árvores, recuperação da Caatinga, restauração de nascentes e formação de novas florestas no Rio Grande do Norte. A OASA é uma organização da sociedade civil que nasceu com o propósito de transformar consciência ambiental em atitude.
E é justamente essa palavra — Atitude — que traduz a essência da instituição. Para a ambientalista e presidente da OASA, Anne Delgado, compreender os problemas ambientais não é suficiente: é preciso agir. “Produzir árvores, plantar, recuperar áreas degradadas, proteger nascentes, promover educação ambiental, mobilizar comunidades e construir soluções capazes de deixar um legado para as próximas gerações”, disse Anne.Fu
ndada em 2007, a OASA desenvolve ações socioambientais no Rio Grande do Norte, tendo entre suas principais frentes a produção de mudas nativas, a restauração da Caatinga e da Mata Atlântica, a recuperação de áreas degradadas e desertificadas, a proteção de recursos hídricos, a arborização e a educação ambiental.
Ao longo dessa trajetória, a organização vem ampliando sua capacidade de produção e atuação territorial. Com sua equipe e parceiros, a OASA já alcançou aproximadamente 1,4 milhão de mudas produzidas e distribuídas no Rio Grande do Norte, transformando viveiros em verdadeiras estruturas de produção de futuro. É dentro dessa missão que se destaca o Projeto Mais Verde, uma das principais iniciativas ambientais da organização. O projeto parte de um princípio fundamental: não basta falar sobre mudanças climáticas; é preciso agir sobre suas causas e consequências. E uma das formas mais concretas de fazer isso é devolver árvores aos territórios que estão perdendo sua vegetação.
Anne fala um pouco mais sobre uma das prioridades do Mais Verde. “Dentro do projeto Mais Verde, temos a recuperação da Caatinga, especialmente em áreas atingidas pela degradação dos solos e pelo processo de desertificação”, comenta Anne e acrescenta que onde a desertificação avança, a OASA trabalha para a floresta voltar.
Um dos exemplos mais expressivos desse trabalho está em Currais Novos, no Seridó potiguar. Naquela localidade, a OASA atua em áreas severamente degradadas, marcadas pelo solo exposto, pela presença intensa de pedras e pelas condições extremas do Semiárido. São paisagens onde, à primeira vista, pode parecer difícil imaginar novamente uma cobertura vegetal significativa.
Com produção de mudas, preparação das áreas, plantio, irrigação, manutenção e acompanhamento, a OASA vem demonstrando na prática que uma área degradada não precisa ser considerada uma área perdida. As imagens registradas em Currais Novos mostram essa transformação acontecendo: árvores crescendo onde antes predominavam solo exposto, pedras e os sinais da desertificação.
Anne comenta que onde muitos enxergam apenas uma terra degradada, a OASA enxerga uma floresta que ainda pode nascer. “E ela começa com uma muda, depois outra e mais outra. Até que aquilo que parecia impossível começa a ganhar forma. É a Caatinga voltando a ocupar o seu lugar”, destaca.
O trabalho ultrapassa Currais Novos. A OASA desenvolve ações de restauração em diferentes regiões do Rio Grande do Norte, incluindo outros municípios do Seridó, além de projetos de recuperação de nascentes no Alto Oeste potiguar e iniciativas de formação de novas áreas verdes e florestadas no Agreste e na região de Extremoz. Esse conjunto de ações integra uma visão maior: conectar produção de mudas, recuperação de ecossistemas, proteção da água, educação ambiental e enfrentamento às mudanças climáticas.
A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e possui extraordinária biodiversidade e capacidade de adaptação às condições do Semiárido. Além de proteger o solo e abrigar inúmeras espécies, sua vegetação participa diretamente da captura e do armazenamento de carbono.
Pesquisas divulgadas pelo Instituto Nacional do Semiárido – INSA- e pelo Observatório da Caatinga e Desertificação indicam que áreas florestais do Semiárido brasileiro podem retirar da atmosfera até 7 toneladas de CO₂ por hectare a cada ano, armazenando carbono na vegetação e no solo. Esse dado ajuda a dimensionar aquilo que cada área recuperada representa. Recuperar a Caatinga também é retirar carbono da atmosfera.
É proteger o solo. É combater a desertificação. É favorecer a biodiversidade. É proteger recursos hídricos. É aumentar a capacidade de adaptação dos territórios às secas e aos eventos climáticos extremos. A Caatinga precisa de recursos para continuar viva A necessidade de ampliar os investimentos destinados ao bioma também vem ganhando espaço na agenda pública. Organizações da sociedade civil, universidades, governos, municípios, empresas e instituições financiadoras precisam unir esforços para apoiar quem efetivamente produz mudas, planta, mantém, monitora e recupera áreas degradadas. Por isso, apoiar projetos de recuperação da Caatinga não deve ser entendido apenas como patrocínio ambiental. É investimento em segurança climática, biodiversidade, água, solo e qualidade de vida.
Anne, além do projeto Mais Verde, é a idealizadora do projeto “Cápsula do Tempo”, Instalada em 22 de abril de 2024, a Cápsula do Tempo foi projetada para preservar, durante 50 anos, cartas, vídeos, documentos e outros registros sobre o meio ambiente, produzidos pela sociedade. O material deverá permanecer guardado até 22 de abril de 2074, quando está prevista a abertura da estrutura.


