Por décadas, o motel foi associado principalmente a encontros íntimos. Agora, uma empresa que acompanha a transformação do setor há mais de 25 anos quer ampliar essa percepção. Apresentado nesta quarta-feira (16), durante a Equipotel, em São Paulo, o Motz, novo nome do Guia de Motéis GO, aplicativo lançado em 2019 para reservas de suítes, passa a assumir uma missão ampliada: aumentar o espaço que os motéis ocupam na vida das pessoas.
A proposta parte de uma característica particular da motelaria no Brasil. Estimativas do setor apontam cerca de 5 mil motéis e mais de 200 mil suítes espalhados pelo País. São espaços privados, equipados e disponíveis, com uma característica pouco comum na hotelaria tradicional: a possibilidade de utilização por períodos fracionados, de algumas horas a uma diária.
“Se olharmos para o que foi construído ao longo de décadas, temos uma rede gigantesca de espaços privados, equipados e disponíveis 24 horas por dia e a qualquer hora, mas nos acostumamos a enxergar uma única razão para ocupá-los. O problema não é o sexo. O problema é só o sexo. Isso é desperdício”, afirma Rodolfo Elsas, fundador do Guia de Motéis.
Boa parte dessa estrutura já oferece recursos que permitem experiências muito diferentes do uso tradicional. É o que mostra um levantamento feito a partir da base do Guia de Motéis. Entre 11.181 categorias de suítes analisadas, 5.483 categorias, ou 49%, possuem recursos como piscina, churrasqueira, sauna, ofurô, bar, pista de dança, áreas externas e outras estruturas associadas a lazer, bem-estar e celebração. Essas categorias estão distribuídas por 1.564 motéis, em 460 cidades do País.
O levantamento mostra uma mudança que já acontece dentro da própria motelaria. Nos últimos anos, estabelecimentos passaram a investir em retrofit, arquitetura, gastronomia, atendimento e experiência, criando ambientes que, em diferentes aspectos, se aproximam de propostas encontradas na hotelaria, no lazer e no entretenimento.
Há 1.080 categorias de suítes que comportam grupos maiores, 765 categorias com estrutura associada a festas e celebrações, 349 categorias que reúnem piscina e churrasqueira ou recursos semelhantes para lazer e 317 categorias com recursos de spa e bem-estar. Outras 434 categorias têm dimensões declaradas que chegam, em alguns casos, a centenas de metros quadrados. Também há categorias de suítes com estrutura para cinema e motéis que recebem experiências gastronômicas assinadas por chefs.
A oferta está longe de ser um fenômeno restrito às grandes capitais. As 5.483 categorias de suítes identificadas estão distribuídas pelas cinco regiões do País: representam 52% das categorias de suítes mapeadas no Sudeste, 50% no Sul, 48% no Centro-Oeste, 41% no Norte e 37% no Nordeste.
Movimento Motz: ampliar os motivos para ocupar
É a partir desse cenário que a estratégia do Motz passa a atuar em duas frentes. Como marca e aplicativo, a empresa pretende colocar no radar do consumidor novas ocasiões de uso, de uma comemoração ou encontro entre amigos a algumas horas de descanso, uma hospedagem durante uma viagem, um momento de lazer ou até um espaço para trabalhar.
Para os empresários do setor, o Guia de Motéis lança o Movimento Motz, uma convocação para que cada estabelecimento avalie quais novas ocasiões fazem sentido para seu público, localização e estrutura. A proposta é estimular adaptações que podem envolver desde novos ambientes de wellness, gastronomia ou fitness até mudanças mais simples, como internet de alta qualidade, estação de trabalho, espaço para bagagens e maior controle sobre a exposição de conteúdo adulto.
“O Motz pode mudar aquilo que as pessoas imaginam e os motéis precisam mudar aquilo que elas encontram. O Movimento Motz existe para provocar o setor a fazer essa transformação junto com a gente”, diz Elsas. A proposta não é transformar o motel em hotel, resort, spa ou coworking. O motel continua sendo motel. A ideia é ampliar a quantidade de momentos em que as pessoas consideram utilizar uma estrutura que já existe.
Uma nova etapa para a empresa
A mudança de nome acompanha uma trajetória de transformação da própria empresa. Criado em 1999, o Guia de Motéis começou levando os estabelecimentos para a internet e, ao longo dos anos, ajudou a digitalizar a relação do público com a motelaria. Em 2019, com o lançamento do Guia de Motéis GO, passou a oferecer reservas de suítes por aplicativo.
Agora, o mesmo aplicativo passa a se chamar Motz e leva essa transformação para outra frente: além de facilitar o acesso aos motéis, a marca quer ampliar as situações em que essas estruturas são consideradas uma opção. Reservas, usuários e volume financeiro movimentado pelo Guia de Motéis crescem entre 60% e 70% ao ano, segundo a empresa, que prevê dobrar a receita em 2027.
A mudança também ganha uma nova linguagem na campanha de lançamento, assinada pelo publicitário Victor Rebouças, profissional com mais de quatro décadas de carreira. A comunicação apresenta os motéis em situações como trabalho, viagens, descanso e lazer, ao mesmo tempo em que preserva o desejo, o humor e a irreverência associados ao universo da motelaria.
“O que diferencia o Motz de uma simples mudança de identidade é o movimento de repensar e ressignificar a múltipla função que suítes absolutamente atraentes e confortáveis, com uma oferta de serviços gigantesca, já oferecem”, afirma Rebouças.


