Equipe potiguar alcança melhor resultado de sua história nos Jogos Universitários Brasileiros e supera trajetória que já teve última colocação nacional
A equipe de Cheerleading da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) terminou o Campeonato Brasileiro Universitário de Cheerleading, disputado durante os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) 2026, em Goiânia (GO), entre as quatro melhores universidades do país. Com o quarto lugar na classificação geral, a equipe conquistou o melhor resultado de sua história na competição e manteve a UFRN como a universidade do Nordeste mais bem colocada no campeonato.
O desempenho foi construído ao longo de três dias de competição e em diferentes formações. Nos dois primeiros dias, 12 atletas representaram a UFRN na categoria Team Cheer. No último dia, a disputa foi na categoria Stunt Group, formada por apenas cinco atletas. Foi nessa prova que a equipe alcançou o segundo lugar nacional e conquistou o vice-campeonato brasileiro, com medalhas para os atletas e troféu para o coach responsável.
A pontuação das diferentes categorias é considerada na composição da média geral das equipes. Por isso, o quarto lugar conquistado pela UFRN não corresponde a uma única apresentação, mas ao desempenho acumulado durante os três dias de competição. A equipe terminou a poucos pontos do pódio geral, à frente de universidades como UFBA, UFPB, UFPE, UFMA e UNIFAP, entre outras.
O resultado ganha dimensão quando comparado à trajetória recente da equipe. A UFRN já esteve na última colocação em uma das categorias disputadas e, agora, alcançou o segundo lugar nacional na mesma modalidade, além de terminar entre as quatro melhores equipes universitárias do Brasil na classificação geral.
O Cheerleading competitivo combina elementos de ginástica e acrobacia com força, flexibilidade, saltos, elevações, pirâmides e coreografia. As apresentações seguem regulamentos específicos, com critérios técnicos, níveis de dificuldade, execução e segurança que determinam a pontuação. A modalidade é reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional desde 2021 e está apta a uma futura inclusão no programa olímpico.
Embora tenha crescido no país nos últimos anos, o Cheerleading ainda é uma modalidade relativamente nova no Brasil e apresenta desenvolvimento desigual entre as regiões. No Nordeste, a consolidação do esporte é mais recente, o que torna a presença de equipes da região em competições nacionais também uma disputa por espaço, estrutura e desenvolvimento técnico.

A história da UFRN nesse cenário começou em 2019, quando a universidade fez sua estreia nos JUBs, em Salvador. A equipe inicial contava com apenas sete atletas e não dispunha de treinamento técnico estruturado, recorrendo a referências disponíveis na internet para aprender os fundamentos da modalidade. A estreia marcou a entrada da universidade e do Nordeste em uma competição nacional que ainda era pouco acessível à região.
Depois da paralisação provocada pela pandemia, a equipe retomou as atividades em 2022 e voltou aos JUBs, em Brasília. Naquele período, os treinamentos aconteciam em condições improvisadas, sem acompanhamento técnico e com limitações de infraestrutura. A participação também colocou os atletas potiguares em contato direto com equipes e atletas de maior experiência, evidenciando a diferença de acesso a conhecimento, estrutura e recursos existente no cenário nacional.
A mudança no trabalho técnico passou a ganhar força a partir de 2024, com o apoio de Thyago Wendelberg, profissional de Educação Física que passou a atuar na preparação da equipe. Ao lado dele, Vitória Karoliny representa uma ligação direta entre diferentes gerações do projeto: uma das fundadoras da equipe, ela iniciou sua trajetória como atleta e posteriormente passou a integrar a comissão técnica.
A comissão técnica também conta com Evalter Tallyz. Os três profissionais desenvolvem o trabalho de forma voluntária, contribuindo para a preparação dos atletas e para a continuidade do projeto em uma modalidade que ainda busca maior estrutura e investimento no cenário universitário regional.
Para Thyago, o processo de formação da equipe também exigiu uma trajetória de aprendizado construída praticamente do zero. Sem uma estrutura consolidada de formação específica em Cheerleading disponível na universidade, o trabalho envolveu estudo independente, busca por referências técnicas e adaptação de métodos de treinamento à realidade dos atletas e aos recursos disponíveis.
O resultado em Goiânia é, portanto, consequência de uma construção que ultrapassa os três dias de competição. É a consolidação de um projeto que começou com sete atletas aprendendo a modalidade por meio de referências na internet, atravessou períodos de interrupção e limitações estruturais e chegou ao principal resultado nacional de sua história.
Com o quarto lugar geral e o vice-campeonato brasileiro no Stunt Group, a UFRN encerra sua participação no JUBs 2026 entre as principais equipes universitárias de Cheerleading do país. Para uma equipe que já esteve na última colocação, o resultado representa uma mudança concreta de patamar e coloca o Rio Grande do Norte, mais uma vez, entre os protagonistas do Cheerleading universitário brasileiro.


