Ítalo Trindade está de volta ao circuito de exposições em Natal. O artista apresenta Chuva de Pólens, em cartaz de 15 de maio a 06 de junho no Margem Hub, em Potilândia, Natal. Composta de montagens abstratas e de pinturas sobre e telas e papel, a mostra permeia os desdobramentos do estudo sobre luz e cor em diferentes instantes da carreira do artista. “O meu trabalho é sobre cor, que vai se desdobrando em temas”. conta Ítalo, o atento olhar observador sobre a paisagem do bairro de Tirol, Rio de Janeiro e, mais recente, os arredores de Paris. A união criativa com o Margem Hub, viabilizada pela Lei Aldir Blanc, estabelece possibilidade de diálogo criativo com novos players da cena cultura de Natal.
A possibilidade de fortalecer o circuito cultural natalense, mostrando os fundamentos do trabalho artístico para diferentes gerações motivou o retorno do Ítalo. A última exposição individual do artista aconteceu, em 2026, há exatos 20 anos, e compreendia pintura sobre telas e papel. Em Chuva de Pólens, serão apresentadas obras realizadas de 2019 e 2006, com destaque para montagens abstratas. Ganham o beneficiamento e aproveitamento sustentável de resíduos de pratos e vasos plásticos pintados pelo artista no seu fazer artístico, recortados e milimetricamente incorporados como elemento de tradução de luz e cor. Até se materializar em obra, o material plástico é pintado, recortado e milimetricamente incorporado com elemento de tradução de luz e cor. “Meu trabalho permanece em diferentes escalas, seja qual for a dimensão da obra”, conta o artista potiguar, relembrando da mostra Spectrocromo, que abriu as portas da Galeria fundada pelo artista Hélio Oiticca, no Rio de Janeiro.
Já tendo vivido no Rio de Janeiro e Minas Gerais, Ítalo é um ser observador da paisagem do Parque das Dunas, visto do Tirol. Desde criança, fauna e flora despertaram, talvez por influência do pai, que era engenheiro agrônomo, não escapava do olhar e dos desenhos do futuro artista. Ainda na infância, o menino artista igualmente era impactado, também, pela manualidade dos bordados e o primor do corte e costura de autoria da sua mãe. Da sala de aula da Escola Técnica ao exame de aptidão para o curso de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande (UFRN), o cálculo e a precisão matemática do desenho geométrico prenunciara que viria a ser o fundamento basilar do trabalho do Ítalo: a possiblidade de transpor arquitetura da luz e cor da natureza em expressão de arte. “Eu tirei o objeto, só olhei cor”, reflete o artista sobre a transposição imagética presente em Chuva de Pólens.




