O coletivo Mães T21 RN, formado por mães de crianças com Trissomia do Cromossomo 21 (T21), promove em Natal uma programação especial em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março. O evento acontece neste sábado (21), no Parque Ecológico de Capim Macio, a partir das 15h30, reunindo famílias, crianças e apoiadores em um momento de celebração e convivência. A programação inclui atividades de musicalização, piquenique coletivo e, no final da tarde, o bloco inclusivo Trevo no Frevo, formado pela bandinha Clarin Kids.
A iniciativa também chama atenção para o tema da campanha nacional deste ano, “Amizade, Acolhimento, Inclusão… Xô Solidão!”, que destaca a importância das redes de apoio, da convivência e do fortalecimento dos vínculos sociais para combater o isolamento e promover o sentimento de pertencimento das pessoas com síndrome de Down e suas famílias.
Rede de acolhimento a famílias
Além das atividades culturais, o coletivo tem ampliado sua atuação em ações de acolhimento a famílias que recebem o diagnóstico de síndrome de Down em recém-nascidos. O grupo tem dialogado com assistentes sociais de hospitais públicos da capital, como a Maternidade Escola Januário Cicco e a Maternidade Santa Catarina, para que os pais sejam informados sobre a existência do coletivo e possam encontrar apoio logo nos primeiros momentos.
“Estar em contato com outras famílias que já passaram por esse processo ajuda muito a enfrentar o momento do diagnóstico e a perceber que ninguém precisa passar por isso sozinho”, explica Fernanda Cavalcanti, integrante do grupo.
Curso de musicalização
Outra iniciativa recente do coletivo é o Curso de Musicalização para Crianças com Trissomia 21, realizado em parceria com a SOE Musicalização Infantil e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Cidade Alta, com recursos provenientes de emenda parlamentar do vereador Daniel Valença (PT).
As aulas acontecerão aos sábados pela manhã, no IFRN Cidade Alta, com início previsto para 11 de abril. As inscrições estão abertas de 13 a 27 de março, e mais informações podem ser encontradas na página do coletivo no Instagram (@maest21rn).
Ticianne Perdigão, integrante do grupo, destaca a importância da iniciativa para as famílias. Mãe de Lívia, de 10 anos, que tem síndrome de Down, ela conta que acompanha de perto os benefícios da musicalização no desenvolvimento das crianças. “O grupo está muito feliz em poder proporcionar esse tipo de iniciativa. Minha filha faz musicalização há dois anos e percebemos avanços importantes, principalmente no desenvolvimento da coordenação motora e da fala”, afirma.
Pesquisa sobre maternidade e deficiência
A experiência das mães que integram o coletivo também tem sido tema de pesquisa acadêmica. A pesquisadora Maria Luísa Paes apresenta no dia 17 de março sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
O estudo analisa a experiência da maternidade de mulheres que têm filhos com deficiência e como a carência de políticas públicas de apoio e o preconceito social impactam o cotidiano dessas famílias. A pesquisa foi realizada a partir de entrevistas com dez mulheres integrantes do coletivo Mães T21 RN, residentes no Rio Grande do Norte, com diferentes perfis sociais e trajetórias de vida.
Segundo a pesquisadora, os resultados mostram que grande parte das responsabilidades relacionadas ao cuidado ainda recai principalmente sobre as mães. “Percebemos que muitas mulheres enfrentam esse processo com pouca rede de apoio institucional. Ao mesmo tempo, coletivos como o Mães T21 RN se tornam espaços fundamentais de acolhimento, troca de experiências e fortalecimento das famílias”, afirma Maria Luísa Paes.
Para o coletivo, iniciativas culturais, redes de acolhimento e produção de conhecimento acadêmico fazem parte de um mesmo processo de construção de direitos e de fortalecimento da inclusão social das pessoas com síndrome de Down e suas famílias.


