Estima-se que cerca de 45% das mulheres e 15% dos homens acima de 40 anos tenham escapes de urina
Condição que se caracteriza pela perda involuntária de urina, a incontinência urinária pode atingir homens e mulheres em qualquer idade. Esse é um problema que impacta negativamente a vida social do indivíduo até nas atividades simples e corriqueiras, levando à vergonha e à aceitação da condição em silêncio, sem buscar ajuda profissional. A boa notícia é que existem diversos tratamentos que podem levar à cura ou ao controle da incontinência.
No mês de março, a Sociedade Brasileira de Urologia do RN (SBU-RN) e todas as seccionais do país alertam a população sobre a incontinência urinária, com a campanha Saia do Molhado. A finalidade é conscientizar a população acerca das possibilidades de tratamento e melhoria da qualidade de vida.
Os escapes de urina podem ocorrer, mesmo em pequenas quantidades, após atividades como espirrar, rir, tossir, exercitar-se e fazer esforços. Pode se manifestar ainda como uma vontade súbita de urinar, algumas vezes não dando tempo de a pessoa chegar ao banheiro.
“Existem basicamente dois tipos de incontinência urinária principais: a incontinência urinária aos esforços e a por urgência. As principais causas da incontinência urinária aos esforços são: múltiplas gestações e partos, obesidade, traumas obstétricos decorrentes de parto e o próprio envelhecimento. Já a incontinência urinária por urgência, muitas vezes têm causas desconhecidas. Porém, algumas causas podem ser: doenças neurológicas, diabetes descompensado, abuso de cafés, fumo e também o envelhecimento”, explica o urologista e presidente da SBU-RN, Pedro Sales.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a incontinência urinária acomete duas vezes mais as mulheres do que os homens, e cerca de 30-40% das mulheres com mais de 40 anos apresentam algum grau da doença.
“Acomete mais as mulheres, tanto a incontinência de esforço como a de urgência, basicamente por questões anatômicas. O arcabouço do assoalho pélvico da mulher fornece uma sustentação para a uretra, porém a uretra da mulher é bem mais curta do que a do homem. Então isso por si só já é um motivo pelo qual as mulheres têm mais incontinência urinária do que os homens, embora homens também possam ter por outros mecanismos”, acrescenta Sales.
Fatores de risco
Apesar da idade ser um fator de risco importante – pois estima-se que pessoas a partir dos 70 anos têm quatro a cinco vezes mais chances de apresentar escapes de urina – a SBU alerta que a incontinência urinária não deve ser encarada como normal em nenhuma faixa etária, e que o paciente deve buscar tratamento adequado.
Entre os fatores que podem influenciar no surgimento da incontinência, destacam-se: envelhecimento; sedentarismo; sexo feminino; histórico familiar; gestação; tabagismo; diabetes; sobrepeso e obesidade; exercícios de alto impacto (quando não há avaliação e acompanhamento adequados); doenças neurológicas como Parkinson e Esclerose Múltipla; e cirurgias pélvicas e na próstata (principalmente para tratamento do câncer).
Formas de tratamento
Acerca das possibilidades de tratamento, Pedro Sales tranquiliza dizendo que existem diversas opções que podem curar ou controlar a condição, melhorando a qualidade de vida do paciente.
“Basicamente um tratamento basilar para todos os tipos de incontinência é a fisioterapia pélvica e fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico. A depender do tipo de incontinência, partimos para tratamentos medicamentosos, com medicação que vai inibir a urgência miccional, ou ainda tratamentos cirúrgicos, como o Sling – que são as faixas suburetrais para tratamento de incontinência urinária de esforço ou de urgência; aplicação de toxina botulínica na bexiga; ou, em casos refratários, a implantação do que a gente chama de ‘marca-passo da bexiga’, que é a neuromodulação sacral”, finaliza o presidente da SBU-RN, Pedro Sales.
A campanha “Saia do Molhado” da SBU-RN reforça a importância de buscar ajuda profissional com urologista para tratar a incontinência urinária, independente da idade ou do sexo do paciente. Os tratamentos incluem, muitas vezes, equipe multiprofissional formada por médicos, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros profissionais da saúde.



