Psicólogo alerta para sinais de sofrimento mental e orienta sobre autocuidado depois da folia
Após dias intensos de festa, música, excesso de estímulos e quebra da rotina, o fim do Carnaval nem sempre representa apenas descanso físico para os foliões. Para muitas pessoas, o período pós-folia é marcado por sentimentos como ansiedade, irritabilidade e culpa, um conjunto de sensações popularmente conhecido como “ressaca moral”, que pode afetar diretamente a saúde psicológica.
O termo popular é utilizado para descrever o mal-estar pós comportamentos que o próprio indivíduo julga como inadequados ou fora do seu conjunto de valores. Esse fenômeno tende a se intensificar durante o Carnaval, especialmente quando associado ao consumo de bebidas alcoólicas, o que pode levar a atitudes que posteriormente geram arrependimento e sofrimento emocional.
De acordo com Zacarias Ramalho, docente do curso de Psicologia da Estácio, esses sintomas estão relacionados aos estímulos vivenciados durante o Carnaval e ao retorno repentino às obrigações do cotidiano. “A depender da intensidade dessas experiências, o indivíduo pode desenvolver um estado de preocupação excessiva com a retomada das atividades, além de irritabilidade associada a sentimentos de frustração”, destaca.
Para amenizar os efeitos emocionais nos dias seguintes à folia, a principal orientação do psicólogo é aproveitar o Carnaval de forma responsável, respeitando os próprios limites. “Entender que a diversão não precisa ser associada a excessos, já é um bom caminho. Além disso, retomar gradualmente a rotina, cuidar do descanso, da alimentação e manter hábitos saudáveis contribuem para uma recuperação emocional mais equilibrada”, enfatiza.
Zacarias Ramalho ressalta ainda que nem todo desconforto emocional deve ser encarado como um transtorno. “Nem todo mal-estar indica um quadro de ansiedade patológica, a principal diferença está no grau de sofrimento e no impacto que esse sentimento provoca na vida do indivíduo. Quando a ansiedade passa a interferir no desenvolvimento físico, mental e social, ela se torna um sinal de alerta e precisa de atenção”, explica.
Por fim, a busca por ajuda psicológica deve ser considerada a partir do momento em que o desconforto deixa de ser passageiro e passa a gerar sofrimento intenso. “Falar sobre saúde emocional, especialmente após períodos de intensa socialização como o Carnaval, é fundamental para promover o autocuidado e prevenir impactos mais profundos no bem-estar mental”, finaliza o docente.



