Foram anos de espera, mas em junho de 2025 o Parque Nacional da Furna Feia, localizado no Rio Grande Norte, foi aberto oficialmente para a visitação. Um dos principais remanescentes da Caatinga no estado do Rio Grande do Norte, a unidade de conservação levou 13 anos para ser aberta ao público desde a sua criação.
Com 207 cavernas localizadas dentro do parque, além de outras 44 na zona de amortecimento, o local é uma verdadeira riqueza espeleológica do Brasil. E conta com algo peculiar: como a maioria dos atrativos são cavernas subterrâneas, os arredores da unidade são diferentes da grande maioria dos parques nacionais. Não se veem montanhas ou paredões, mas uma belíssima vegetação típica do bioma, repleta de cactos e árvores como angicos e aroeiras, que camuflam lajedos de pedras e, claro, as cavernas e furnas.
Em termos de localização, o Parque Nacional da Furna Feia fica nos municípios de Baraúna e Mossoró, que estão na divisa do estado com o Ceará. Recentemente, o local passou a fazer parte da Rota das Cavernas Potiguar, que engloba ainda diversos sítios espeleológicos do estado.
Abertura do parque: o ciclo virtuoso da conservação na prática
Além de muito esperada pela população local e por ecoturistas de todo o país, o começo da visitação do Parque Nacional da Furna Feia é um ótimo exemplo de como funciona o que o Instituto Semeia — organização que atua para incentivar a visitação nos parques do Brasil, fortalecer a gestão dessas unidades e apoiar o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde estão inseridas —, costuma chamar de ciclo virtuoso das Unidades de Conservação.
O ciclo virtuoso funciona com:
1) a visitação: que acontece com turistas demandando produtos e serviços da população local, que para isso precisam dos ativos naturais conservados;
2) a geração de renda: com as pessoas da região gerando impacto econômico na comunidade;
3) a conservação: com o turismo trazendo visibilidade para a necessidade de conservar o meio ambiente.
Mais do que a geração de renda pura e simples, para que tudo faça sentido é importante que as pessoas da comunidade se sintam parte do que significa um parque nacional. Afinal, são elas que moram ali, no lugar que é objeto de desejo de viagem de milhares e milhares de pessoas.
Parque Nacional da Furna Feia: atrativos e atividades
As mais de 1.500 visitas nos primeiros meses de abertura do parque se concentraram na caverna Furna Nova — por enquanto o único atrativo do Parque Nacional da Furna Feia que está aberta à visitação. De acordo com o Plano de Manejo Espeleológico e com as diretrizes de turismo sustentável, o local recebe no máximo 80 visitantes permitidos por dia, com acompanhamento obrigatório do condutor. A Furna Nova recebe estrutura para que as pessoas possam entrar nela de maneira segura: através de uma fenda na rocha, o visitante entra na caverna que se abre em uma descida rumo ao salão principal.
Além de outros atrativos que devem ser abertos ao longo de 2026, o Parque Nacional da Furna Feia reserva outras riquezas. Com uma flora típica da Caatinga, a região conta com dezenas de espécies animais — com destaque para as aves, que ganharam, inclusive, um livro só para elas. Além disso, a Unidade de Conservação conta com pinturas rupestres e potencial paleontológico.



