Primeira edição reuniu sete horas de programação gratuita com shows, audiovisual, artesanato e economia criativa, contando com apoio da PNAB e presença da governadora Fátima Bezerra
Sob o vento que sopra da praia de Santos Reis, a primeira edição do Festival Circuito das Cores transformou o Complexo Cultural da Rampa, neste sábado (06), em um grande encontro de música, memória e criações coletivas. Um espaço sempre marcado pelo atravessamento de histórias, do cais ao porto simbólico da cidade, abriu passagem para um público diverso, que ocupou o local em clima de roda, pertencimento e celebração.
Realizado com apoio federal via Política Nacional Aldir Blanc (R$ 60 mil), executada pelo Governo do Rio Grande do Norte, o Festival estreou com um formato amplo: apresentações musicais, exibição audiovisual, área de artesanato e economia criativa, ações de visibilidade para iniciativas locais e um cuidado dedicado à acessibilidade física e comunicacional.
Para a governadora Fátima Bezerra, a estreia representa mais que um evento, é um gesto de política cultural permanente.
“Ver esse espaço vivo, com tanta gente reunida em torno do samba, das nossas artes e da nossa identidade, é a prova de que cultura é investimento, é democracia e é futuro. O Circuito das Cores chega para ficar, e chega para fortalecer quem produz, cria e emociona o nosso povo,” afirmou.
Ô diretor-presidente da Fundação José Augusto, Gilson Matias, destacou o caráter multiplicador da iniciativa.
“O Festival nasce expandindo um projeto que já tem história na cidade. Temos aqui artistas, audiovisual, artesanato e economia criativa circulando de forma integrada. É isso que a política pública precisa fazer: gerar renda, formar público, criar sentido de pertencimento,” disse.
O evento trouxe como eixo simbólico o projeto Cores do Nosso Samba, capitaneado pela cantora e compositora Valéria Oliveira, que completou dez anos de atuação contínua e ampliou sua presença para um festival de múltiplas linguagens. A roda anfitriã assumiu dois sets musicais ao longo da noite, conduzidos pelo diretor musical Raphael Almeida, com repertório plural: partido-alto, samba de roda, releituras, ijexá e pagode, acompanhados de banda completa.
A programação contou ainda com as cantoras convidadas Damiana Chaves, Jôsy Ribeiro, Will Barros, Luanda Damasceno, Íris Lima e Nara Costa, além do show-encerramento da Família Além do Normal, com participação de Analuh Soares. Sessões de videoclipes de samba potiguar e a exibição do documentário A Raiz Canguleira do Cores do Nosso Samba – 10 anos completaram o percurso artístico.
Do outro lado da praça, o artesanato expôs mais uma das pontes de memória do RN: o Labirinto do Reduto, patrimônio cultural imaterial reconhecido no estado. A área gastronômica e as Conexões Criativas, iniciativa realizada em parceria com o Sebrae, reunindo marcas e projetos apoiados, movimentaram também a geração de renda.
A professora e moradora de Santos Reis, Luciana Tavares, que participou da noite com familiares, destacou a simbologia.
“Nunca vi tanta coisa bonita acontecendo aqui ao mesmo tempo. É muito emocionante saber que esse espaço público está vivo, iluminado e cheio de cultura. A gente se sente parte,” afirmou.
Entre rampas acessíveis, área reservada para pessoas com deficiência, intérprete de Libras e espaços destinados a mobilidade reduzida, o Festival cumpriu um dos compromissos anunciados: ampliar o direito de participação plena.
A primeira edição do Circuito das Cores foi realizada com apoio do Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal, e integrou ações da Secretaria de Estado da Cultura, Fundação José Augusto, Funcern e Governo do Estado do Rio Grande do Norte, contando com recursos oriundos da PNAB e emenda parlamentar do deputado federal Fernando Mineiro.



