Entre a batina e a batuta, o maestro histórico formou gerações e criou alguns dos coros mais emblemáticos da música potiguar
Neste domingo, 9 de novembro, o Rio Grande do Norte celebra os 90 anos do monsenhor Pedro Ferreira da Costa, o Padre Pedro — maestro da fé, da música e da sensibilidade. Nascido em Taipu, em 1935, e radicado em Natal desde a infância, o sacerdote construiu uma trajetória que se entrelaça com a história da música potiguar e com a formação espiritual de várias gerações.
Aos sete anos de idade, o menino Pedro descobriu o encanto dos sons e integrou a banda infantojuvenil do Departamento de Educação, onde começou a trilhar o caminho que o tornaria uma das figuras mais respeitadas da cultura musical do estado. No Seminário Menor de São Pedro, a vocação religiosa e o amor pela música encontraram terreno fértil. Lá, ele conheceu Dom Marcolino Dantas, bispo e também músico, que o convidou a auxiliá-lo na escrita de composições após perder a visão — uma parceria que uniu devoção, arte e aprendizado.
Rigor técnico e espiritualidade
Ordenado sacerdote, Padre Pedro seguiu entre a batina e a batuta. Tornou-se referência nacional em regência coral e formação musical, atuando na FUNARTE, em cursos por todo o país, e como professor da Escola de Música e do Departamento de Artes da UFRN, onde ensinou Regência, História da Música e História da Arte. Sua pedagogia combinava rigor técnico e espiritualidade, ensinando que educar também é um ato de beleza.
Sob sua regência floresceram grupos que marcaram época, como o Madrigal da UFRN, o Coral Canto do Povo, a Camerata de Vozes do RN, a Banda Sinfônica da UFRN, o Coral da Petrobras RN, o Coral da TV Cabugi e, mais recentemente, a Schola Cantorum Domenico Bartolucci, fundada em 2023 em homenagem a seu mestre no Vaticano.
Academia e literatura
Com uma sólida formação acadêmica, o monsenhor Pedro é doutor em Filosofia (Estética Ontológico-Musical) pela Universidade Gregoriana de Roma e em Polifonia Sacra pelo Pontifício Instituto de Música Sacra, onde conquistou o título máximo de Summa cum Laude Probaty. Discípulo do cardeal e compositor Domenico Bartolucci, especializou-se na arte da polifonia e fez dela um instrumento de louvor e inspiração.
Em 2024, lançou o livro “Polifonia — Música e Sacralidade”, pela Academia Norte-Riograndense de Letras e pela Cooperativa Cultural da UFRN, obra que sintetiza sua visão de mundo: a harmonia entre o sagrado e o estético, entre o som e o espírito.
Reconhecido pelo Governo do Estado em 2018 com a Medalha de Honra ao Mérito Cultural Alberto Maranhão, Padre Pedro é celebrado não apenas por sua erudição, mas por sua humanidade. Aos 90 anos, permanece símbolo de uma vida regida pela fé, pela arte e pela ternura — um eco permanente na história cultural e espiritual do Rio Grande do Norte.



