Uma atividade interdisciplinar da UFRN realizada no dia 12 de julho convidou o público a redescobrir o centro histórico de Natal pelos olhos da viúva Amélia Machado. Realizada em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) e o Departamento de Ciência da Informação (DECIN/UFRN), a iniciativa foi além de uma simples visita guiada. O trajeto propôs uma reflexão sobre o papel da memória na formação da identidade potiguar e no fortalecimento do turismo cultural na capital. Ao reviver a história de Amélia, os participantes foram incentivados a repensar o valor dos espaços urbanos como guardiões da nossa herança coletiva.
A atividade foi dividida em dois momentos complementares. Primeiro, uma visita mediada à exposição na Pinacoteca Potiguar, onde os participantes tiveram contato com obras, textos e documentos que reconstroem a trajetória de Amélia Duarte Machado, conhecida como Viúva Machado, personagem que faz parte do imaginário urbano da cidade. Em seguida, foi realizada uma caminhada até a antiga residência de Amélia, situada no centro histórico da capital. Durante o percurso, o grupo foi convidado a refletir sobre os marcos simbólicos e os silêncios da cidade, resgatando fragmentos de uma história que, muitas vezes, é esquecida no cotidiano apressado. Veja imagens do passeio aqui.
A professora Patrícia Ladeira Penna Macedo, do Departamento de Ciência da Informação da UFRN e uma das idealizadoras da atividade, destaca o valor simbólico e estratégico dessas ações. Ela acredita que a Ciência da Informação é uma aliada fundamental na preservação da memória: “Trabalhamos para garantir que os registros da nossa história não se percam e possam ser acessíveis às gerações futuras. Quando levamos as pessoas a caminhar pela cidade e observar detalhes, estamos promovendo um exercício de memória ativa, que envolve afeto, pertencimento e cidadania.”
A professora também ressalta que a memória não precisa ser um acervo empoeirado, “ela pode e deve ser vivida, contada, experienciada. E isso é também uma forma de desenvolvimento. A capital potiguar, marcada por riquezas culturais muitas vezes invisibilizadas, poderia ampliar significativamente sua oferta turística ao investir em narrativas locais, em personagens históricos como Amélia Machado e em circuitos que tornem o passado acessível e atrativo para moradores e visitantes”, enfatiza Patrícia.
O professor Graco Aurélio Câmara, pró-reitor de Extensão da UFRN e membro do IHGRN, destaca que, “por meio deste projeto de extensão, a Universidade busca não apenas contribuir para o fortalecimento da formação crítica dos estudantes, mas também lançar luz sobre o imenso potencial da memória como vetor de desenvolvimento, inclusive na esfera do turismo, unindo pesquisa, ensino e compromisso social. Mais do que reconstituir o passado, trata-se de construir pontes entre o que fomos, o que somos e o que desejamos ser: como cidade, como comunidade e como sujeitos históricos.”



