Por Vicente Vitoriano
Uma amizade de mais de cinquenta anos quer dizer muitas coisas. Uma delas e que eu e Toinho Silveira nos encontramos quando adolescentes, quase crianças, descobrindo e discutindo as coisas da vida em aventuras juvenis / como os passeios na Kombi de Seu Milton em noites de uma Mossoró que, embora quase bucólica, nos permitia que estivéssemos antenados com os movimentos culturais da época, particularmente os movimentos artísticos, sem as preocupações e responsabilidades que tão logo iriamos experimentar. Neste período estivemos juntos num evento que considero de bastante importância na história cultural e artística do Rio Grande do Norte.
Foi uma exposição que chamamos de I Exposição Coletiva de Artes plásticas, em 1972. Dela participaram os artistas Marieta Lima, Varela, Jose Boulier e Ivan Lima, já conhecidos e admirados em Mossoró. Ao lado deles, praticamente estreávamos eu, Toinho, Carlos de Lima e Newton Sidou. Desde então, nossos projetos individuais nos levaram por caminhos distintos, mas certamente sem impedir que sempre soubéssemos um do outro e sem evitar que, ao nos reencontramos esporadicamente, sempre houvesse a sensação de que estivéramos juntos no dia anterior.
Dois momentos de reencontro me são muito caros, ambos relacionados com nossas atividades artísticas, mas não sei precisar qual veio antes do outro. Avento que o primeiro foi quando Toinho, há tempo na pratica da crônica social, voltava para a produção artística e me apresentou uma série de pinturas de matriz naïf, em forma e conteúdo, carregadas de leveza e atenção para a nossa cultura. O outro momento a que quero dar relevo aconteceu quando ele organizou e fez curadoria da exposição “Um processo”, uma individual minha, na Galeria Newton Navarro da Fundação Hélio Galvão, em 1989. Essas duas ocasiões demonstram significativas faces de Toinho, as de artista e de produtor cultural, entre as muitas que ele assumiu ao longo de uma carreira sempre pautada pelo esmero e pelo bom gosto. Cabe lembrar que em 1989, dando mostras de sua versatilidade, Toinho lançou o livro “Retalhos do cotidiano”, com poemas, reflexões, quase crônicas pessoais e exercícios de poesia visual com desenhos e colagens para muito além do naïf.
Embora não necessariamente um encontro, destaco, ainda, o que seria uma coincidência entre nossas ações e que diz respeito às nossas investiduras no universo do jornalismo cultural, eu na crítica e divulgação das artes visuais, principalmente, e ele como observador da vida social, numa longeva e, portanto, bem sucedida atuação nos meios escrito e televisual, em instâncias nacionais e internacionais.
Como se costuma dizer, Toinho é o que há!
Vicente Vitoriano, em junho de 2025.



